Vitor Severino e os segredos do Grêmio em La Paz

Vitor Severino e os segredos do Grêmio em La Paz

Imagine a cena: um ar que parece faltar a cada respiração, um estádio pulsante a mais de 3.600 metros acima do nível do mar e o peso de um torneio continental nas costas. Jogar na altitude de La Paz, contra o tradicional Bolívar, é um teste que desafia os limites da física e do coração. E foi exatamente nesse cenário dramático, que bem poderia ser o enredo de uma daquelas novelas de superação que tanto amamos acompanhar, que o Grêmio encarou a partida de ida dos playoffs da Copa Sul-Americana de 2026. A derrota por 3 a 2 pode parecer, à primeira vista, um resultado amargo. No entanto, nos bastidores do clube gaúcho, o clima pós-jogo foi desenhado com tons de otimismo e uma surpreendente serenidade, liderados por quem esteve à beira do gramado gerenciando as emoções do elenco.

A altitude de La Paz e a estratégia de Vitor Severino

Com a ausência do técnico principal Luís Castro — que permaneceu em Porto Alegre por expressa recomendação médica devido a um histórico delicado de cirurgias decorrentes de episódios de pneumotórax —, a responsabilidade de guiar o Tricolor no caldeirão do Estádio Hernando Siles caiu sobre os ombros de seu fiel escudeiro. O assistente técnico Vitor Severino assumiu o comando da área técnica com a postura de quem domina as minúcias de um elenco sob pressão. Mas o que chamou a atenção da imprensa e dos torcedores não foi apenas a sua liderança calma, mas sim a revelação de bastidores de que ele não teve contato direto com Castro durante os 90 minutos de jogo.

De acordo com declarações dadas na entrevista coletiva no ge, o plano de jogo já havia sido meticulosamente desenhado e partilhado de forma prévia com toda a comissão técnica. Essa autonomia concedida a Vitor Severino mostra o nível de maturidade e entrosamento de um grupo que trabalha junto há anos. Em um ambiente onde cada segundo conta e a altitude altera até a trajetória da bola, ter uma equipe que sabe exatamente o que fazer sem precisar de um “telefone vermelho” para o Brasil é um diferencial raro e valioso.

A reação eletrizante comandada pelo auxiliar

O início da partida foi eletrizante, digno de um roteiro de suspense onde o vilão ataca logo na primeira cena. Com apenas um minuto e meio de jogo, Martín Cauteruccio balançou as redes para o Bolívar após uma falha de marcação defensiva. Para muitos times, um golpe desses na altitude boliviana seria o início de um desastre. Mas o Grêmio de Vitor Severino mostrou que tem casca. A reação não demorou e, aos 15 minutos, após boa jogada de Pavon e Braithwaite, o paraguaio Mathías Villasanti dominou com estilo e empatou a partida.

A montanha-russa de emoções continuou quando os bolivianos retomaram a liderança aos 17 minutos com Robson Matheus. Novamente atrás do placar, o Tricolor mostrou brio. Apenas cinco minutos depois, o atacante Tetê desferiu um chute potente de fora da área que sofreu um desvio e encobriu o goleiro adversário, decretando o eletrizante 2 a 2. Na segunda etapa, conforme apontado na crônica do GZH, o desgaste físico cobrou o seu preço. O Bolívar passou a dominar as ações e selou a vitória por 3 a 2 aos 12 minutos do segundo tempo com um gol de Dairon Asprilla. Graças às defesas cruciais do goleiro Weverton, o placar não se estendeu, mantendo a eliminatória completamente aberta.

O que o Tricolor precisa para a classificação

Nas redes sociais, a torcida tricolor se dividiu entre a frustração pelos persistentes erros na linha de defesa e a esperança renovada pela atitude competitiva demonstrada pelo elenco reserva. Afinal, as vésperas do confronto traziam uma carga de ansiedade enorme, intensificada pela recente derrota diante do Mirassol no Campeonato Brasileiro, que empurrou o time para perto da temida zona de rebaixamento. O embate contra o Bolívar serviu para resgatar a dignidade e provar que o elenco tem peças capazes de dar respostas positivas quando acionadas.

Os dados trazidos pela Veja apontam que o jogo de volta, agendado para o dia 30 de julho na Arena do Grêmio, exigirá foco total. Para se classificar de forma direta e carimbar a vaga nas oitavas de final, o Grêmio precisa de uma vitória por dois gols de diferença. Um triunfo por apenas um gol levará a disputa para as penalidades máximas. A atmosfera de Porto Alegre promete ser digna de decisão de Copa. Vitor Severino e seus comandados saíram de La Paz derrotados no placar, mas fortalecidos na convicção de que o plano traçado pode sim levá-los à glória continental.

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