Imagine um daqueles episódios de novela em que o protagonista é obrigado a encarar seu pior pesadelo longe de casa, sem o seu principal mentor por perto. Foi exatamente esse o sentimento que dominou a noite de quinta-feira em La Paz. Com Luís Castro impossibilitado de viajar por recomendações médicas devido à altitude, a responsabilidade de liderar o Grêmio caiu no colo de seu fiel escudeiro. Em meio ao ar rarefeito e à pressão ensurdecedora do Estádio Hernando Siles, o desafio era gigante: encarar o Bolívar pelo jogo de ida dos playoffs da Copa Sul-Americana.
O teste de fogo de Vitor Severino na altitude
Comandar uma equipe a mais de 3.600 metros acima do nível do mar já é um drama por si só, mas fazer isso com uma escalação mista e sob a desconfiança dos bastidores torna tudo ainda mais teatral. O auxiliar técnico, Vitor Severino, assumiu a prancheta sabendo que os holofotes estavam voltados para a sua capacidade de gerenciar crises. O Grêmio vive um momento delicado, flertando perigosamente com a zona de rebaixamento no Brasileirão, o que forçou a comissão técnica a poupar algumas de suas principais estrelas. Essa decisão, que dividiu opiniões nas redes sociais, colocou o comandante interino em uma verdadeira saia justa.
A torcida acompanhou a partida com o coração na boca. Na internet, os comentários refletiam a angústia de ver o time sofrer com os efeitos físicos do ar rarefeito enquanto tentava manter a dignidade tática. O Bolívar, por outro lado, entrou em campo sabendo exatamente como usar o vento e a velocidade da bola a seu favor, transformando os primeiros minutos em um teste de sobrevivência para a defesa tricolor. A sensação era de que cada cruzamento na área gremista trazia consigo uma carga extra de tensão.
Um roteiro de novela no Hernando Siles
Se o jogo fosse uma obra de ficção, o roteirista teria caprichado nas reviravoltas do primeiro tempo. Logo no primeiro minuto de jogo, Patito Rodríguez cruzou com precisão e Cauteruccio abriu o placar de cabeça para o Bolívar. Mas, como em todo bom folhetim, a reação não demorou. Aos 16 minutos, Villasanti aproveitou um erro da defesa adversária para empatar o placar com categoria. A alegria durou pouco: apenas dois minutos depois, Robson Matheus recolocou os donos da casa em vantagem após aproveitar o rebote do goleiro Weverton. Segundo a análise detalhada divulgada pelo GE Globo, a instabilidade defensiva quase custou muito caro.
Mesmo cansado e visivelmente desgastado pelo ritmo frenético, o Grêmio buscou forças para igualar o marcador novamente aos 22 minutos, graças a um belo chute de Tetê que contou com um desvio providencial para vencer o goleiro Lampe. O empate por 2 a 2 antes do intervalo parecia um milagre digno de aplausos, mas o segundo tempo reservava a parte mais dramática da noite. Como apontado na cobertura do GaúchaZH, os donos da casa voltaram do vestiário determinados a pressionar fisicamente o elenco gaúcho.
Como Vitor Severino projeta o jogo de volta na Arena
O Bolívar dominou as ações na etapa final, pressionando de forma incessante até que Dairon Asprilla marcou o terceiro gol aos 12 minutos do segundo tempo. A partir dali, o confronto virou um ataque contra defesa. Foi nesse momento que o jovem goleiro Weverton se transformou no grande herói da noite. Suas defesas difíceis impediram que o Bolívar construísse uma vantagem irrecuperável para o duelo de volta, fazendo com que a derrota por 3 a 2 ficasse com um sabor quase aceitável diante das circunstâncias. Conforme ressaltou a matéria da ESPN, o resultado manteve o Grêmio vivo na eliminatória.
Agora, o foco de Vitor Severino e de toda a comissão técnica se volta para Porto Alegre. Na próxima semana, o Grêmio precisará de uma vitória simples diante de sua torcida na Arena para levar a decisão ao menos para os pênaltis. O clima nos bastidores é de otimismo moderado, com a promessa de que o time terá força total e, claro, o retorno de Luís Castro à beira do gramado. Para quem gosta de um bom drama com final feliz, a partida decisiva promete entregar todas as emoções que os apaixonados por futebol e por uma grande história merecem.
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