Se existe um sentimento que une o torcedor fanático e o espectador casual que só quer ver o circo pegar fogo nas redes sociais, esse sentimento é a nostalgia misturada com o puro drama de uma noite histórica. Na noite desta terça-feira, o gramado em Dallas virou um verdadeiro coliseu emocional. Quem diria que veríamos a badalada França, cheia de pompa e comandada por um Kylian Mbappé sedento por glória, cair diante de uma Espanha cirúrgica e apaixonante? Pois aconteceu. Com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro, a Fúria dominou o jogo, venceu por 2 a 0 e carimbou seu passaporte para a grande decisão do Mundial de 2026. Mas, em meio à festa de uma geração brilhante capitaneada por Lamine Yamal, uma pergunta inevitável começou a pipocar na internet: afinal, quantas Copas do Mundo a Espanha ganhou na história?
A glória de 2010: quantas Copas do Mundo a Espanha ganhou?
Para entender o tamanho da euforia que tomou conta das ruas espanholas, precisamos fazer uma breve viagem no tempo. A única e histórica conquista do país aconteceu em 2010, na África do Sul. A pergunta sobre quantas Copas do Mundo a Espanha ganhou nos leva direto àquela inesquecível tarde no estádio Soccer City, em Joanesburgo. Era a consagração do chamado ‘tiki-taka’, um estilo de jogo caracterizado pela posse de bola paciente, passes curtos e uma precisão cirúrgica de dar inveja.
Relembrar aquele esquadrão comandado por Vicente del Bosque é quase um exercício de nostalgia para quem ama os bastidores do esporte. Tínhamos Iker Casillas operando milagres debaixo das traves, a liderança raçuda de Carles Puyol e Sergio Ramos, a genialidade silenciosa de Xavi Hernández e, claro, o homem do milagre, Andrés Iniesta. Foi dele o gol decisivo na prorrogação contra a seleção holandesa, aos 116 minutos, que garantiu o único título mundial da história do país. Esse momento épico, eternizado na memória dos amantes do futebol, é frequentemente relembrado no especial sobre a trajetória histórica da seleção produzido pela ESPN.
Quando foi a última vez que a Espanha esteve na final do torneio?
Essa é a grande ironia do futebol de seleções de alto nível. Desde que Iniesta tirou a camisa para comemorar aquele gol inesquecível na África do Sul, a Espanha viveu uma montanha-russa de expectativas frustradas e reconstruções dolorosas. Ao se perguntar sobre quando foi a última vez que a Espanha esteve na final da Copa do Mundo antes desta brilhante campanha de 2026, a resposta é surpreendente para muitos: nunca mais. Foram 16 longos anos longe dos holofotes da grande decisão.
A queda pós-título foi melancólica. Em 2014, no Brasil, a equipe então campeã do mundo deu um adeus precoce ainda na fase de grupos. Em 2018, na Rússia, e em 2022, no Catar, a Fúria esbarrou no próprio preciosismo e caiu nas oitavas de final. Aquilo que era arte em 2010 parecia ter virado um tédio improdutivo de passes sem objetividade. O encanto tinha se quebrado, e a torcida começou a duvidar se voltaria a ver seu país no topo do mundo esportivo novamente. Até que a nova geração assumiu a responsabilidade.
O novo capítulo de uma geração que se recusa a ser coadjuvante
E é exatamente por isso que o roteiro deste Mundial de 2026 é tão fascinante para quem acompanha futebol com os olhos voltados para os grandes enredos dramáticos. Sob o comando inteligente de Luis de la Fuente, a Espanha reencontrou sua essência sem ficar presa a dogmas do passado. A equipe que assombrou o continente ao vencer a Eurocopa de 2024 agora joga um futebol extremamente vertical, dinâmico e veloz. O garoto Lamine Yamal, que já superou a barreira de promessa para se tornar um verdadeiro ícone cultural global, é o grande símbolo dessa revolução em campo.
O triunfo histórico de 2 a 0 contra a França de Didier Deschamps foi a consolidação dessa metamorfose. Enquanto os franceses tentavam se apoiar no talento individual de suas estrelas bilionárias, a Espanha deu um show de harmonia tática e solidez defensiva, sofrendo pouquíssimo ao longo de todo o torneio. Ao apito final, a internet explodiu em elogios e memes celebrando a justiça poética. Se em 2010 a Espanha vencia pelo cansaço físico e mental do adversário, em 2026 ela encanta pela pura ousadia e criatividade de seus jovens talentos.
A grande decisão do torneio promete parar o planeta. Independentemente de quem seja o adversário na finalíssima, essa seleção espanhola entra em campo com a autoridade de quem provou que o futebol bem jogado ainda é a melhor receita para as glórias eternas. Resta saber se o destino reservará o tão sonhado bicampeonato para coroar esse grupo que já fez história.



