Se tem uma coisa que o futebol e uma boa novela das nove têm em comum, é a capacidade de nos prender à cadeira com reviravoltas que nenhum roteirista ousaria rascunhar. Na noite deste último sábado, a Arena do Grêmio se transformou no palco de um melodrama daqueles que fazem o telespectador esquecer de piscar. O clima era de final de campeonato, a torcida estava com os nervos à flor da pele, e o que se viu em campo foi um verdadeiro espetáculo de superação. Para os amantes de um bom drama com final feliz, o duelo Grêmio x São Paulo entregou absolutamente tudo: drama de vilão, redenção de herói contestado e, claro, aquela pitada de veneno que todo bom clássico regional exige.
O início tenso e o golpe inesperado na Arena
A atmosfera em Porto Alegre era de pura eletricidade. Mais de 34 mil torcedores compareceram à Arena dispostos a empurrar o time comandado por Luís Castro para fora do abismo da zona de rebaixamento. No entanto, quem acompanha os bastidores do futebol sabe que a pressão pode ser uma faca de dois gumes. O início da partida mostrou um time gaúcho nervoso, errando passes bobos e sofrendo para furar o bloqueio defensivo do adversário paulista.
O primeiro tempo teve seus momentos de quase infarto. Aos 37 minutos, o goleiro são-paulino Rafael operou um verdadeiro milagre duplo: primeiro, ao espalmar um chute rasteiro de Villasanti; no rebote, ao se esticar inteiro para conter a finalização à queima-roupa de Carlos Vinícius. A torcida mal teve tempo de lamentar a chance perdida quando, nos acréscimos, veio o golpe de misericórdia. Em um ataque rápido do São Paulo, a bola cruzou a área e, após uma dividida infeliz entre Marcos Antônio e o zagueiro Gustavo Martins, acabou indo parar no fundo da rede gremista. O gol contra foi um balde de água fria monumental, que levou o time para o vestiário sob um coro de desconfiança.
Como mostra a análise detalhada da cobertura da CNN Brasil, o cenário parecia desenhado para mais uma noite de lamentações, mas o destino reservava um roteiro muito mais saboroso para a etapa complementar.
A virada heroica no reencontro de Grêmio x São Paulo
Dizem que os grandes personagens se revelam nos momentos de maior adversidade. E foi exatamente isso o que aconteceu logo no início do segundo tempo. Aos dois minutos, o zagueiro Wallace, recém-chegado ao elenco e já sob o escrutínio da exigente torcida, subiu mais alto que todo mundo após cobrança de escanteio e testou firme para empatar a partida. O grito que estava entalado na garganta do torcedor finalmente explodiu, devolvendo a alma ao time em campo.
Mesmo com o empate, o jogo continuou tenso. A polêmica tomou conta das arquibancadas quando Luís Castro decidiu sacar Carlos Vinícius para colocar Martin Braithwaite. A torcida vaiou a alteração, mostrando que a paciência com o comandante anda no limite. Mas o futebol tem dessas coisas: quando a tática falha, a genialidade individual resolve. E o nome do herói da noite atende por Cristian Pavón.
Aos 41 minutos da etapa final, quando o empate parecia selado e o fantasma da zona de rebaixamento ainda rondava a Arena, o argentino cobrou uma falta magistral. A bola desenhou uma curva perfeita no ar antes de balançar as redes, coroando uma atuação gigante. Conforme destacado na crônica esportiva, a vitória do tricolor teve um legítimo roteiro de cinema para Pavón, que já havia sido decisivo no meio da semana ao marcar, também de falta, o gol que classificou a equipe na Copa do Brasil contra o Mirassol. Para fechar com chave de ouro, o goleiro Weverton ainda realizou duas defesas milagrosas nos minutos finais, garantindo o suado placar de 2 a 1.
O efeito colateral no Rio Grande do Sul: Inter no Z-4
Se a vitória por si só já seria motivo de festa na metade azul do Rio Grande do Sul, o desfecho da rodada trouxe um ingrediente extra de pura catarse. Ao conquistar os três pontos e saltar para a 14ª colocação com 25 pontos, o tricolor gaúcho conseguiu não apenas respirar aliviado, mas também empurrar o seu maior rival, o Internacional, diretamente para a temida zona de rebaixamento.
Nas redes sociais, o clima de provocação e deboche atingiu níveis históricos. Afinal, ver o rival histórico ocupar a vaga que antes era sua é o tipo de drama que alimenta as conversas de bar por semanas. Conforme apontado pelos principais colunistas de GZH, o impacto psicológico dessa rodada para o futebol gaúcho é imensurável, alterando completamente a balança de poder e a confiança de ambos os lados para o restante da temporada.
A verdade é que o esporte, assim como o entretenimento, vive de narrativas cativantes. E neste sábado, assistimos a um dos episódios mais emocionantes desse longo folhetim chamado Campeonato Brasileiro. Agora, resta saber se o herói Pavón continuará com o pé calibrado para manter o time longe do perigo ou se novos dramas aguardam a torcida nos próximos capítulos.



