O clima de decisão na Baixada Santista começou muito antes de a bola rolar. Quem esteve nos arredores do estádio pôde sentir a eletricidade no ar, com milhares de torcedores promovendo o tradicional corredor de fogo para receber o ônibus do Santos. O otimismo era palpável, mas os bastidores da partida guardavam um enredo muito mais tenso do que o esperado. O que deveria ser a grande consagração de Neymar na Vila Belmiro, diante de uma torcida apaixonada, transformou-se em um doloroso drama de bastidores que culminou na eliminação do Peixe na Copa do Brasil.
O presságio e a reclamação de Neymar na Vila Belmiro
Durante o aquecimento no gramado, a fisionomia do craque já entregava que algo não estava bem. Em vez da habitual descontração com os companheiros de equipe, o jogador parecia profundamente incomodado com o estado do campo. Quem acompanhou os minutos antes da partida pôde ver o atacante realizando testes rápidos na grama, balançando a cabeça negativamente e gesticulando com insatisfação. A cena ganhou contornos ainda mais sérios quando ele chamou o coordenador de futebol do clube, Léo, para uma conversa direta no gramado. De acordo com as informações trazidas pelo portal Globo Esporte, as fortes chuvas que atingiram o litoral nos dias anteriores forçaram uma alteração na rotina de irrigação, deixando o solo excessivamente úmido e pesado. Para um atleta que carrega um longo histórico de cirurgias e cuidados especiais nas articulações, aquele terreno pesado era o pior cenário possível. Esse descontentamento inicial acabou se mostrando um triste prenúncio do que o destino reservava para a noite de futebol.
A lesão do camisa 10 e a eliminação precoce do Peixe
Com a bola rolando, o clássico mostrou-se hostil desde os primeiros segundos. Logo no início, uma entrada dura de Felipe Anderson em cima de Neymar rendeu um cartão amarelo precoce e definiu o tom físico e brigado do confronto. O Santos, que precisava reverter a desastrosa derrota por 3 a 0 sofrida no jogo de ida — partida que o astro não disputou por sua conhecida aversão a campos artificiais —, tentava criar jogadas de ataque, mas as coisas começaram a desmoronar muito cedo. Aos 28 minutos, o argentino Álvaro Barreal sentiu dores musculares na coxa e precisou ser substituído por Rollheiser. Mas o golpe definitivo nas esperanças santistas veio aos 44 minutos do primeiro tempo: após uma arrancada e dividida com Giay, o atacante santista levou a mão à parte posterior da coxa direita. Ele ainda tentou caminhar e permanecer em campo até o apito final da primeira etapa para evitar gastar uma janela de substituição, mas seu corpo cobrou o preço. No vestiário, o técnico Cuca confirmou a alteração, promovendo a entrada de Rony no início do segundo tempo, enquanto Lucas Veríssimo também deixava o jogo machucado no tornozelo. Sem seu principal elemento de desequilíbrio criativo, o time da casa não encontrou forças para furar a marcação alviverde. O empate sem gols, detalhado na cobertura da Folha de S.Paulo, confirmou a queda precoce e levou o Palmeiras direto para as semifinais da competição nacional, conforme registrado no relato da Federação Paulista de Futebol.
O que dizem os torcedores nas redes sociais
Como era de se esperar, a eliminação e o drama médico movimentaram intensamente as redes sociais. No BlueSky e no Instagram, o tom da torcida oscilava entre a profunda frustração e a ironia fina sobre a situação física do elenco. Alguns internautas compararam a saga do craque a um enredo dramático de novela das nove, onde o público já sabe que o final reserva lágrimas e frustração. Outros torcedores criticaram a decisão de forçar a escalação do jogador após as queixas claras no aquecimento, enquanto uma parcela considerável de fãs ponderou sobre o peso da idade e das lesões recorrentes na carreira do jogador que, aos 34 anos, enfrenta dificuldades para manter a regularidade em alto nível físico. O sentimento geral na Baixada Santista é de ressaca moral: a esperança de uma virada histórica contra o maior rival desmoronou em apenas 45 minutos de jogo, deixando no ar uma enorme incerteza sobre o tempo que o principal ídolo da equipe precisará passar entregue aos cuidados do departamento médico.



