Bahia x Chapecoense: a ousadia de Ceni que mudou o rumo

Bahia x Chapecoense: a ousadia de Ceni que mudou o rumo

Imagine gastar milhões de reais em um meio de campo estelar apenas para descobrir que, às vezes, o que o seu time realmente precisa não é de glamour, mas de apetite. Após a longa paralisação para a Copa do Mundo, o Bahia retornou aos gramados em Salvador com uma decisão que deixou muitos torcedores de queixo caído antes mesmo do apito inicial. Rogério Ceni, um técnico conhecido por sua convicção quase obstinada, resolveu quebrar os protocolos e mandar uma mensagem clara ao vestiário: ninguém tem cadeira cativa. O comandante barrou o trio mais badalado do elenco e transformou o jogo atrasado da quarta rodada do Brasileirão em um laboratório de pura intensidade.

A coragem de Rogério Ceni no vestiário

A primeira metade da temporada foi cruel com o torcedor tricolor. As eliminações precoces na Copa do Brasil e na segunda fase preliminar da Copa Libertadores, diante do modesto O’Higgins, deixaram feridas profundas na relação da torcida com o elenco. Quando a bola parou para o Mundial, a desconfiança pairava sobre a Arena Fonte Nova. Ceni sabia que precisava chacoalhar as estruturas. Deixar medalhões como Everton Ribeiro, Cauly e Jean Lucas no banco de reservas contra o lanterna do campeonato foi um movimento de altíssimo risco. Se o resultado positivo não viesse, o treinador seria o principal alvo das críticas.

No entanto, a estratégia desenhada durante a intertemporada mostrou-se impecável. Ceni escalou um meio de campo mais operário, com o retorno de Nicolás Acevedo e a liderança do volante Erick, além de adiantar Erick Pulga para flutuar no ataque ao lado de Ademir e Willian José. Foi um choque térmico tático necessário para devolver a competitividade que parecia perdida nos meses anteriores.

O show tático no duelo Bahia x Chapecoense

Dentro das quatro linhas, a resposta ao plano ousado de Ceni na partida entre Bahia x Chapecoense foi imediata. O Esquadrão sufocou a equipe catarinense desde os primeiros segundos. Como bem pontuou a cobertura do UOL Esporte, o Bahia resolveu a fatura de forma avassaladora ainda na primeira etapa, jogando com uma agressividade que há muito não se via. Aos 11 minutos, após intervenção cirúrgica do VAR que assinalou pênalti em cima de Erick Pulga, Rodrigo Nestor bateu com categoria e abriu o placar.

A torcida mal tinha terminado de comemorar quando, aos 33 minutos, o jovem Román Gómez subiu mais alto que a defesa adversária para cabecear firme e ampliar para 2 a 0. Essa nova dinâmica, descrita em detalhes na análise do GE Globo, provou que a velocidade de transição e o preenchimento de espaços foram muito mais eficientes do que o preciosismo técnico que vinha travando o futebol da equipe.

A sincera autocrítica do capitão Erick

Se nas arquibancadas a festa foi completa, nos vestiários o clima foi de alívio e pés no chão. Capitão da equipe na noite de sexta-feira, o volante Erick não se esquivou das cobranças na coletiva de imprensa. Com uma honestidade rara no futebol moderno, ele reconheceu o peso das falhas do primeiro semestre, admitindo que o grupo ficou devendo após as quedas dolorosas nas competições de mata-mata.

“Sabíamos que teríamos que ter uma virada de chave para que o segundo semestre fosse ainda melhor. A gente ficou devendo, fomos eliminados em duas competições, não estava no script, algo que foi um baque para todos nós”, desabafou o atleta. A redenção, segundo ele, começou a ser desenhada antes mesmo da pausa. Emocionado com o rendimento coletivo, o jogador disparou: “a gente sabia que a atitude deveria ser diferente”. E de fato foi. O período de treinamentos intensos sob o comando de Ceni devolveu ao elenco o brio necessário para competir em alto nível.

O que o triunfo do Bahia projeta para o Brasileirão

Com os três pontos garantidos em Salvador, o Bahia chega aos 29 pontos e se consolida na sexta colocação, colado no G4 e a apenas um ponto de distância do Athletico-PR. Mais do que a tabela, o triunfo mostra que Rogério Ceni agora tem em mãos um leque robusto de opções. No segundo tempo, quando o cansaço bateu, ele pôde se dar ao luxo de colocar Everton Ribeiro para atuar quase como um atacante avançado aos 25 minutos, além de introduzir Jean Lucas no terço final.

Essa profundidade de elenco será colocada à prova muito em breve. Sem muito tempo para celebrar, a delegação tricolor já arruma as malas para viajar a Belo Horizonte, onde enfrentará o Atlético-MG na próxima terça-feira (21), na Arena MRV. O desafio será manter o mesmo nível de entrega física fora de casa. Mas, para uma equipe que provou que a atitude mudou, o horizonte agora parece muito mais promissor.

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