Para quem passou pelas imediações do Morumbis na noite de terça-feira, o clima não deixava dúvidas: o futebol paulista estava prestes a viver um daqueles momentos divisores de águas que fariam inveja ao final de qualquer novela das nove. O corredor de fogo, a fumaça vermelha e os cantos ensandecidos de mais de 42 mil torcedores desenhavam o cenário de uma verdadeira noite de gala. O São Paulo precisava expurgar os fantasmas de um incômodo jejum de vitórias que se arrastava desde o retorno da pausa para a Copa do Mundo. No fim das contas, o placar de 3 a 1 sobre o Bolívar não apenas garantiu a sobrevivência do time na temporada, mas também resgatou a alma de uma torcida que andava cansada de tanto drama de bastidores.
A noite em que o Morumbis virou um caldeirão de emoções
A atmosfera de decisão começou muito antes de a bola rolar de fato. Quem acompanha o dia a dia do clube sabe que a pressão sobre o técnico Dorival Júnior andava sufocante, digna de um paredão de reality show, após uma sequência incômoda de seis jogos sem vencer. A resposta da torcida foi um espetáculo à parte, digno de um tapete vermelho. O ônibus da delegação foi recebido com uma festa monumental, e o atacante Luciano, mestre em reger a massa e sempre muito performático, subiu nos degraus do veículo para inflamar os torcedores. No gramado, a escalação inicial trouxe novidades ousadas, como o retorno de Artur e a estreia de Aurélio Buta como titular, mostrando que o roteiro da noite seria de pura ofensiva no jogo de volta das oitavas de final.
O brilho das estrelas tricolores na Copa Sul-Americana
A bola rolou e o nervosismo inicial deu lugar a um show de protagonismo. Aos 17 minutos do primeiro tempo, o Morumbis veio abaixo. Após uma bela jogada coletiva, Iago acionou Danielzinho, que cruzou na medida exata para Luciano finalizar de primeira com o pé esquerdo. O gol foi o seu 114º com a camisa tricolor, consolidando o camisa 10 como um dos grandes personagens da história recente do clube. Naquele instante, parecia que a classificação na Copa Sul-Americana viria sem grandes sobressaltos. O São Paulo controlava o ritmo da partida como um diretor de cinema seguro de sua obra, neutralizando qualquer investida dos bolivianos e dominando o meio-campo com inteligência.
Do drama do empate ao alívio do apito final
Mas o que seria de uma boa narrativa sem uma reviravolta no segundo ato? Aos 14 minutos da etapa complementar, Luciano acertou a trave após um drible desconcertante. O castigo veio no minuto seguinte: em um contra-ataque rápido, Dairon Asprilla acertou um chute espetacular no ângulo de Rafael, empatando o jogo e injetando suspense no Morumbis. Contudo, a reação tricolor foi rápida e certeira. Aos 20, após revisão do VAR, um toque de braço de Echeverría na área resultou em pênalti. Coube a Jonathan Calleri bater com categoria aos 22 minutos, recolocando o time na frente. A catarse definitiva aconteceu aos 30, quando Artur cobrou escanteio e Sabino cabeceou para o fundo das redes, sacramentando o 3 a 1 e transformando as críticas recentes em aplausos calorosos.
O reencontro de gigantes na Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors
Garantida a classificação com o placar agregado de 4 a 2, o São Paulo agora integra a lista seleta dos classificados para as quartas de final. O próximo capítulo desse folhetim sul-americano reserva nada menos que o lendário Boca Juniors, que garantiu sua vaga com autoridade ao despachar o Deportivo Recoleta. Conforme aponta o chaveamento completo do torneio, o embate de gigantes em setembro tem tudo para ser o evento mais comentado do ano. O jejum acabou, os bastidores ganham fôlego e o torcedor tricolor já pode sonhar acordado com novas noites de glória continental.



