Se você acompanha de perto o universo das grandes celebridades, sabe que o limite entre a glória absoluta e o cancelamento público é uma linha extremamente tênue. A Neo Química Arena estava prontinha para o espetáculo da redenção na noite de quarta-feira, mas o que se desenhou foi uma verdadeira tragédia grega, daquelas que a cultura pop adora roteirizar. O Corinthians batalhava intensamente contra o Estudiantes por uma vaga nas semifinais da Copa Libertadores quando, nos acréscimos finais, o árbitro apontou para a marca da cal após o VAR flagrar um toque de mão na área. O cenário parecia perfeito para o principal astro do elenco consagrar seu nome e justificar o badalado investimento feito em sua contratação. No entanto, a batida que deveria ser o passaporte para as penalidades acabou ganhando o céu de São Paulo e os pesadelos da Fiel. O erro crucial custou caro e abriu as portas para uma tempestade nos bastidores do Parque São Jorge.
O pênalti isolado e o silêncio de Memphis Depay
O relógio marcava 51 minutos do segundo tempo em Itaquera. O Corinthians perdia por 1 a 0 após o gol do argentino Alexis Castro aos 41 minutos e precisava desesperadamente do empate para manter vivo o sonho continental. Quando a penalidade máxima foi assinalada, a responsabilidade de mudar o rumo da história caiu inteira sobre Memphis Depay. A torcida presente na arena prendeu o fôlego, mas a execução foi desastrosa. O chute forte subiu muito além do travessão do goleiro Fernando Muslera. O uruguaio, inclusive, revelou aos microfones da imprensa que já sabia o canto escolhido pelo holandês para a batida cruzada, embora nem tenha precisado se esforçar para defender.
O erro decretou a eliminação e transformou a atmosfera do estádio em um misto de revolta e frustração. Logo após o apito final, os torcedores registraram por diversos ângulos a reação indignada da arquibancada, que não poupou vaias ao camisa 10. Evitando o confronto visual com a imprensa, o atacante optou por deixar a Neo Química Arena por uma saída alternativa, sem passar pela zona mista regulamentar. Esse drible nos repórteres deve custar caro ao clube, que arcará com uma multa estimada em US$ 10 mil aplicada pela Conmebol. Do lado de fora, a insatisfação popular ganhou contornos físicos com pichações nos muros do clube chamando o jogador de “futebol de centavos” para um “salário de milhões”.
Felipe Melo dispara contra a postura do atacante
Como toda boa fofoca de bastidores que se preza, as repercussões fora do campo foram rápidas e ácidas. Rivais e analistas de peso se apressaram em dar suas opiniões sobre o fracasso do grande nome corintiano. O ex-jogador e comentarista esportivo Felipe Melo chamou a atitude de frouxa, direcionando suas duras críticas principalmente ao fato de o atacante ter se esquivado das entrevistas após o lance derradeiro. Na visão do comentarista, uma estrela desse porte precisa dar as caras justamente no momento da derrota.
Ao mesmo tempo, as redes sociais foram inundadas por memes e gozações. O lendário ex-goleiro palmeirense Marcos não perdeu a oportunidade de alfinetar o rival histórico e publicou a imagem de uma bola com a piada de que ela havia caído em seu quintal. O icônico apresentador Neto também usou seus canais de comunicação para rotular a cobrança como o pior pênalti da história do Corinthians. Para quem acompanha o dia a dia das celebridades, esse movimento é bastante familiar: a mesma opinião pública que coloca um artista ou atleta em um pedestal é a primeira a puxar o tapete quando as expectativas astronômicas não são atendidas em noites de gala.
O pedido de desculpas de Memphis Depay no vestiário
Apesar do silêncio ensurdecedor mantido diante das lentes de TV, as paredes do vestiário da Neo Química Arena testemunharam um comportamento bem diferente do astro holandês. O clima após a eliminação era de puro drama, com vários jogadores visivelmente abalados e chorando a perda da vaga. Sentindo o peso do golpe e ciente de sua parcela de culpa na queda precoce, Memphis Depay aproveitou um momento de privacidade para se desculpar abertamente com os companheiros de equipe e com a comissão técnica.
Durante a tradicional roda de oração que o elenco costuma realizar após as partidas, o camisa 10 tomou a palavra de forma humilde. Cabisbaixo, ele reconheceu a falha crucial e pediu perdão ao grupo pela oportunidade desperdiçada. A atitude foi bem recebida pelos colegas, que optaram por acolher o jogador em vez de apontar culpados. Na coletiva oficial, o técnico Fernando Diniz tentou blindar seu comandado, afirmando que individualizar o erro seria uma injustiça coletiva. O pedido de desculpas acalmou momentaneamente a turbulência interna, mas o desafio agora é digerir o impacto psicológico dessa eliminação para focar na dura realidade que resta na temporada.



