Se você estivesse no Beira-Rio no fim de tarde deste domingo, veria uma cena que parecia saída de uma novela das nove, mas com o pior roteiro possível para os gaúchos. Antes mesmo do intervalo de Internacional x Santos, com um placar elástico de 3 a 0 a favor dos paulistas, as arquibancadas começaram a esvaziar sob gritos furiosos de “time sem vergonha” ecoando no ar. O que era para ser a reação de um gigante acabou se transformando em um verdadeiro espetáculo dramático de erros, redenção e nervos à flor da pele.
O show de Gabigol no duelo Internacional x Santos
O futebol brasileiro adora um bom drama de bastidores, e ninguém domina melhor esse palco do que Gabriel Barbosa. Após passar a semana sob os holofotes por declarações de amor ao Flamengo e flertes públicos com o Cruzeiro, o camisa 9 santista entrou em campo sob imensa pressão de todos os lados. Mas o que se viu em Porto Alegre foi a clássica redenção do anti-herói que o público adora acompanhar. Gabigol comandou o ataque com maestria absoluta. Ele abriu o placar logo no início do confronto e, minutos depois, ampliou de pênalti após sofrer uma falta dura de Matheus Bahia, lance que acabou resultando na expulsão direta do lateral rival após revisão do VAR. Para quem adora julgar o comportamento extracampo do atleta, a resposta veio afiada, desenhada dentro das quatro linhas.
Félix Torres e o colapso defensivo colorado
Por outro lado, todo grande drama de ficção ou da vida real precisa de um personagem trágico. No roteiro colorado deste domingo, esse ingrato papel coube ao zagueiro Félix Torres. Escalado como a grande surpresa do tempo titular, o equatoriano cometeu um erro técnico bizarro, tropeçando de forma inexplicável na bola logo aos sete minutos e entregando a jogada de bandeja nos pés de Gabigol. Conforme detalhado em análise pelo portal Correio do Povo, a atuação do defensor foi disparada a pior do jogo, desestabilizando completamente uma equipe que já sofria com o peso psicológico de uma longa sequência negativa. Para fechar a tragédia grega no Beira-Rio antes da primeira metade, o time ainda perdeu Matheus Bahia expulso, deixando os donos da casa em situação crítica com apenas dez jogadores para enfrentar um oponente extremamente motivado e eficiente.
Brilho argentino dita o ritmo de Inter x Santos
Enquanto o caos se instalava na desprotegida defesa gaúcha, Benjamín Rollheiser aproveitou para assumir o protagonismo criativo diante da ausência de Neymar, poupado por lesão. O meia argentino foi o grande cérebro do triunfo santista, ditando o ritmo da partida, distribuindo passes refinados e encontrando caminhos livres por onde a marcação mandante apenas assistia. Foi de Rollheiser o passe em profundidade que deixou Gabigol em ótima situação no lance do pênalti e, mais tarde, a assistência milimétrica em um escanteio curto que encontrou o cabeceio preciso de Cristian Oliva para marcar o terceiro gol do time da Vila Belmiro. Nas redes sociais, a torcida santista não poupou elogios à inteligência tática do argentino, consagrado como o verdadeiro herói silencioso da tarde, algo que também se refletiu nas excelentes avaliações divulgadas pelo GE Globo. O jovem mostrou que, mesmo sob a sombra das maiores estrelas do elenco, tem futebol de sobra para conduzir o espetáculo sozinho.
A fúria dos torcedores e as reações no rádio
O espetáculo melancólico apresentado na primeira etapa foi pesado demais para os torcedores que compareceram ao estádio. Ver centenas de pessoas abandonando as arquibancadas de cabeça baixa antes mesmo do apito do intervalo é a representação visual mais dolorosa da crise esportiva que assola o Rio Grande do Sul. No rádio, as vozes históricas que acompanham o dia a dia do futebol gaúcho expressaram o mesmo sentimento de espanto. A narração angustiada de Pedro Ernesto Denardin combinada aos comentários sinceros e indignados do experiente Guerrinha, em material de destaque na GZH, ilustraram perfeitamente a gravidade do momento colorado, agora perigosamente estacionado na zona de rebaixamento. E embora a equipe tenha ensaiado uma reação heróica e louvável no segundo tempo, com gols de Aguirre e Bruno Henrique diminuindo a desvantagem, a reação tardia não conseguiu apagar o vexame do primeiro tempo. O Santos respira aliviado ao subir para a décima segunda posição, enquanto o Colorado se vê diante do espelho, obrigado a repensar suas escolhas para não transformar o drama em uma dolorosa queda livre.



