Quem esteve em Bálsamo na tarde desta quarta-feira testemunhou mais do que uma simples vitória protocolar no Campeonato Paulista. Viu, de perto, o funcionamento de uma engrenagem refinada que dita o ritmo do futebol feminino no país. A goleada por 4 a 1 sobre o estreante Mirassol não apenas somou pontos valiosos na tabela, mas também acirrou uma disputa interna que desenha a identidade desse elenco. No centro desse espetáculo, a briga pela artilharia do Corinthians ganhou um capítulo de tirar o fôlego.
A tarde inspirada de Jaqueline e o empate na artilharia do Corinthians
A atacante Jaqueline entrou em campo com a eletricidade habitual, mas com um faro de gol ainda mais apurado. Bastaram apenas seis minutos para que ela abrisse o placar no Estádio Manoel Francisco Ferreira, mostrando o cartão de visitas das visitantes. O Mirassol até tentou ensaiar uma reação rápida com o gol de empate de Giovanna, mas a resposta alvinegra foi implacável. Jaqueline, que vive uma temporada iluminada aos 26 anos, buscou o segundo gol ainda no primeiro tempo, recolocando o time em vantagem e estabelecendo uma nova realidade na temporada.
Com as duas bolas na rede diante do clube do interior, Jaqueline alcançou a impressionante marca de 11 gols em 23 partidas disputadas em 2026. O feito a coloca lado a lado com a lendária camisa 10, Gabi Zanotti, que ostenta os mesmos 11 gols, porém conquistados em 24 jogos. Para quem acompanha o dia a dia das Brabas, ver esse revezamento no topo não é surpresa, mas sim a prova incontestável de um planejamento de elenco que preza pela excelência e pela competitividade saudável.
O revezamento saudável das goleadoras alvinegras
O que torna o trabalho da comissão técnica corinthiana tão fascinante é a capacidade de manter o nível de competitividade mesmo alternando peças e poupando titulares para o Brasileirão. Jaqueline e Zanotti dividem os holofotes, mas a perseguição não para por aí. Logo atrás do topo da tabela de goleadoras, a jovem Jhonson desponta com sete gols em 22 exibições, seguida de perto por Ariel Godoi, com seis tentos. Conforme destaca a lista de goleadoras divulgada pelo Meu Timão, esse poder ofensivo pulverizado é o grande trunfo corinthiano na busca pela hegemonia.
Essa alternância de protagonismo nas redes cria um cenário de pesadelo para as defesas adversárias. Não há uma única atleta para focar a marcação; o perigo pode surgir de uma infiltração precisa de Zanotti, da velocidade letal de Jaqueline ou até mesmo das zagueiras, como provou Erika ao assinar o quarto gol do triunfo em Bálsamo. O terceiro gol, cabe lembrar, veio de uma infelicidade da zagueira Siméia, do Mirassol, que tentou cortar um cruzamento e acabou mandando contra a própria meta. É a representação de um time que pressiona o oponente até provocar o erro.
A busca por vaga direta e o horizonte do Paulistão
Apesar da goleada imponente e do show particular de Jaqueline, o campeonato exige pés no chão e foco absoluto. De acordo com o relato publicado pela Federação Paulista de Futebol, o Corinthians ocupa provisoriamente a terceira colocação do Estadual com dez pontos conquistados em seis exibições. O regulamento deste ano é rigoroso: os dois primeiros colocados avançam diretamente para as semifinais, enquanto os times que ficarem do terceiro ao sexto lugar disputam uma fase eliminatória de play-in.
Se a primeira fase terminasse agora, as Brabas enfrentariam o Santos em jogos de ida e volta por uma vaga na semifinal. Contudo, a distância para Palmeiras e Ferroviária é estreita. O tropeço recente dos concorrentes diretos mantém as portas abertas para que o Timão busque a classificação direta nas rodadas finais. A decisão promete ser emocionante e, como de costume, a torcida projeta suas expectativas nas redes sociais, onde a empolgação com o futebol das meninas do Parque São Jorge é sempre vibrante.
Como apontado na crônica esportiva do portal GE Globo, a maturidade tática apresentada pelo elenco feminino do Corinthians é um diferencial em momentos de pressão. A transição rápida de bola e o controle mental de suportar a pressão do Mirassol no segundo tempo provam que este grupo está pronto para as fases agudas que se desenham no horizonte. Essa capacidade de ditar o ritmo é a assinatura de quem sabe o peso da camisa que veste.



