Para quem respira os bastidores do futebol europeu, as tardes de pré-temporada costumam ser um desfile de camisas novas, testes táticos e muita especulação. No entanto, o que era para ser apenas uma festa de aniversário de 100 anos do modesto Wehen Wiesbaden, na Brita-Arena, transformou-se em um drama digno de horário nobre. O gigante alemão entrou em campo sem suas principais estrelas, ainda de férias após o término do Mundial de Seleções, e o técnico Vincent Kompany optou por uma cartada ousada ao escalar um time quase todo alternativo para o primeiro amistoso de pré-temporada do Bayern de Munique. O resultado desse experimento ousado? Um inesperado balde de água fria em forma de derrota que já começa a movimentar as redes sociais e as conversas de bastidores pela Europa.
O drama dos garotos do Bayern de Munique na Brita-Arena
Não há como negar que vestir a camisa de um dos maiores clubes do planeta pesa. E para os garotos lançados por Vincent Kompany na primeira etapa, esse peso foi sentido em cada passe. Com uma média de idade de pouco mais de 17 anos em campo, o nervosismo ficou evidente logo aos dez minutos de jogo. Uma saída de bola equivocada do goleiro David Podar-Stiube, de apenas 16 anos, entregou a posse nos pés do atacante Ibrahim Ati Allah, que bateu rasteiro no canto para abrir o placar para os donos da casa. O erro expôs a natural falta de entrosamento de um grupo que está apenas começando a trabalhar junto.
Apesar de o time juvenil do Bayern de Munique ter esboçado uma reação com uma cobrança de falta venenosa do talentoso Guido Della Rovere, a primeira etapa continuou sob o controle tático do Wehen Wiesbaden. O time local, que está a poucas semanas de iniciar sua jornada oficial na terceira divisão da Alemanha, jogou com a malícia e a solidez de quem sabia exatamente como se aproveitar de cada brecha oferecida por uma defesa tão inexperiente. Para o torcedor que acompanhava a preparação de Wehen Wiesbaden x Bayern de Munique, o cenário se desenhava muito mais complexo do que os prognósticos mais otimistas indicavam.
Palhinha em campo e a sombra do Benfica nos bastidores
Na segunda metade do confronto, a história mudou de figura. Kompany decidiu mandar a campo os atletas profissionais que estavam disponíveis no banco, buscando dar mais ritmo de jogo e consistência tática ao elenco. Entre as novidades do segundo tempo, o grande destaque foi a entrada do internacional português João Palhinha, que substituiu o jovem austríaco Michael Matosevic no meio-campo. Palhinha, que protagoniza uma das maiores novelas de transferências desta janela europeia com o forte assédio do Benfica, foi observado de perto a cada toque na bola, alimentando ainda mais as conversas sobre seu futuro nos bastidores.
A presença das figuras mais experientes surtiu efeito quase imediato na dinâmica do jogo. Pouco depois de entrar, o substituto Tim Binder foi derrubado na área e sofreu uma penalidade máxima. O jovem meio-campista Tom Bischof, que assumiu a emblemática camisa número 8 deixada por Leon Goretzka nesta temporada, assumiu a responsabilidade e bateu com enorme categoria para empatar a partida em 1 a 1 aos 58 minutos. Parecia o início de uma virada segura dos bávaros na Brita-Arena.
O que essa derrota ensina ao gigante Bayern de Munique?
Contudo, o futebol adora punir o excesso de confiança. Quando a partida já se encaminhava para um empate morno, veio o golpe final. Aos 85 minutos, o veterano goleiro Sven Ulreich, que também entrou no segundo tempo, acabou espalmando um chute difícil para o meio da área. Oportunista, o atacante Lukas Schleimer aproveitou o rebote e marcou o gol da histórica vitória por 2 a 1 para o Wehen Wiesbaden. O gol fez explodir a torcida local e selou a surpreendente derrota do Bayern de Munique no amistoso festivo.
Para quem avalia esse início de trabalho com olhos de lince, o tropeço do Bayern de Munique traz lições cruciais sobre a profundidade e a maturidade de sua rotação de jovens talentos. Vincent Kompany tem em mãos um elenco recheado de promessas brilhantes, mas que ainda carecem de casca para segurar jogos contra adversários fisicamente robustos e organizados, mesmo na terceira divisão. A pré-temporada serve exatamente para errar e ajustar os ponteiros, mas a cobrança em Munique é sempre implacável.
Agora, o grupo viaja para o seu acampamento de treinamentos intensivos para corrigir as falhas defensivas apresentadas. O próximo desafio amigável já está agendado para a próxima quinta-feira contra o Rottach-Egern, onde o técnico espera contar com mais reforços do time principal. Até lá, a derrota deste sábado certamente continuará rendendo assunto nas mesas-redondas e entre os torcedores mais exigentes que anseiam por ver o verdadeiro futebol do maior campeão alemão de volta aos eixos.



