Se você passasse pela rua Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em uma manhã qualquer de sol ou chuva, a cena se repetiria com precisão quase poética: uma mulher estilosa, de capacete, cortando o trânsito carioca a bordo de uma charmosa scooter para cruzar as catracas da maior emissora do país. Aquela motociclista decidida, movida por uma paixão antiga por adrenalina e independência, é a mesma que, minutos depois, surgiria impecável diante das câmeras, guiando o público pelos caminhos tortuosos da política e da economia nacional. Trata-se da veterana Leilane Neubarth, que acaba de tomar uma das decisões mais marcantes de sua trajetória de quase cinco décadas na televisão. Em uma conversa franca com seus telespectadores, ela optou por desacelerar a rotina intensa da redação diária, deixando um rastro de admiração e profunda cumplicidade por onde passou.
A coragem de Leilane Neubarth em duas rodas
Esse espírito livre e independente, que muitos telespectadores do Conexão GloboNews começaram a enxergar de forma mais nítida nos últimos anos, na verdade sempre foi a marca registrada da jornalista fora dos estúdios. Há mais de 40 anos, ela mantém uma rotina sob duas rodas que desafia convenções e o próprio figurino que se esperava de uma profissional da sua estatura. Como revelado em matéria do portal Terra, o amor pelas motos começou cedo, ainda na juventude, quando decidiu que queria sua primeira moto. O plano quase foi frustrado pela resistência de sua mãe, que com uma ironia bem típica de família disparou: “Te dou um revólver que é mais barato e mais rápido.” A provocação, contudo, serviu apenas como combustível para a jovem estagiária que, com o próprio salário, adquiriu uma Honda 250cc e assumiu o controle do seu próprio caminho. No trânsito do Rio de Janeiro, em uma época com pouquíssimas mulheres guiando motos, ela já chamava atenção pela coragem, um prenúncio da determinação que definiria sua carreira dali em diante.
A emocionante despedida ao vivo
O anúncio de que a âncora deixaria o jornalismo diário pegou a redação de surpresa, mas foi conduzido com a elegância típica de quem domina o que faz. No encerramento do Conexão GloboNews, de forma calma e profundamente sincera, ela comunicou que encerrava seu ciclo na bancada diária após 47 anos de dedicação à empresa. Com os olhos brilhando e a voz firme, relembrou sua chegada à Globo em 1979, ainda uma jovem de 19 anos cheia de sonhos. Como bem analisado pela Veja, a motivação por trás do afastamento é o desejo de viver novas fases e focar em projetos menos desgastantes que a massacrante rotina diária das notícias em tempo real. No palco ao vivo, ela fez questão de frisar que não se trata de uma aposentadoria definitiva, mas sim de uma transição madura e muito bem planejada: “O jornalismo vive aqui dentro de mim e vai viver sempre”, declarou a profissional, acalmando o coração dos fãs que temiam um sumiço definitivo da TV.
Uma linda homenagem de amor e orgulho
Como não poderia deixar de ser, as redes sociais foram inundadas por manifestações de carinho de colegas de profissão, telespectadores e, claro, de quem acompanha de perto a intimidade da jornalista. A homenagem mais tocante e que rapidamente viralizou partiu de sua esposa, a arquiteta Mari Pitta. Conforme repercutido pelo F5, da Folha de S.Paulo, Mari exaltou não apenas a trajetória impecável da companheira, mas destacou sua “disciplina rara” e o orgulho gigante de caminhar ao lado de alguém tão íntegro e corajoso. No texto compartilhado na web, ficou claro o suporte emocional mútuo que permitiu a Leilane dar esse passo tão corajoso em direção à liberdade de tempo. Para nós, que acompanhamos os bastidores dos famosos há tanto tempo, é inspirador ver uma profissional de prestígio celebrar suas vitórias rodeada de amor autêntico, sem precisar esconder quem realmente é.
O que o futuro reserva para Leilane Neubarth
A saída negociada com a direção da emissora mostra que o respeito à sua história prevaleceu. A TV Globo confirmou que, embora Leilane Neubarth deixe o dia a dia frenético dos telejornais ao vivo, as portas continuam abertas para projetos pontuais, especiais e documentários. É o fim de uma era, com certeza, mas também o início de um período em que a jornalista poderá escolher a dedo onde colocar sua energia extraordinária. A reação do público nas redes sociais foi unânime: de um lado, a melancolia de perder uma voz tão familiar e confiável logo pelas manhãs; de outro, uma torcida fervorosa por seus próximos passos. Afinal de contas, quem passou a vida inteira acelerando caminhos desafiadores em cima de duas rodas não vai parar de se movimentar tão cedo. Nós ficamos aqui, aguardando ansiosamente o próximo sinal verde para acompanhar essa grande mulher em sua nova jornada.
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